De todos os lugares que já estive o que eu mais gosto é do Centro do Rio de Janeiro, minha cidade natal. Apesar da má conservação dos prédios, da sujeira e de que a máxima que para o homem o mundo é um “imenso banheiro” se confirmar com força total, o Centro do Rio tem um charme todo especial. Aqueles paradoxos me fascinam! O antigo ao lado do moderno, o belo e o feio, a riqueza e a pobreza. O caos urbano me atrai e me deixa mais viva. É algo inexplicável.
Destaco em especial um cantinho adorado: o Centro Cultural Banco do Brasil, o CCBB para os íntimos. Lembro a primeira vez que estive lá. Fui com uma tia e uma prima. Iríamos a princípio ao cinema. Ao chegarmos à bilheteria descobrimos que minha prima havia esquecido a carteirinha de estudante e não tinha como provar que tinha mais de 14 anos, a censura do filme. Então, nós três resolvemos sair para passear, foi nessa, que minha sábia tia resolveu nos levar ao CCBB. Não lembro mais qual era a exposição, só lembro que foi amor à primeira vista, a partir desse dia visitá-lo é item indispensável nas minhas férias, pois não moro mais no Rio, e se morasse, acredito que iria toda semana!
A última exposição visitada foi Lusa, fechando a trilogia de exposições sobre as etnias formadoras da nossa nação. A primeira, Caminhos da África, mostrou a riqueza e a beleza de um povo tão menosprezado e subjugado pelos ocidentais. Por ti América, a segunda, provou que os habitantes originais da nossa terra não eram os selvagens que a História insiste em pintar e muitos teimam em continuar acreditando. Lembro de um sujeito que estava ao meu lado comentar ao observar uma peça que tal artefato só poderia ter sido feito por algum europeu aportado em solos americanos antes das Grandes Navegações. Sim, temos que agüentar tais comentários...
Lusa fechou com chave de ouro. Criatividade não faltou aos organizadores da exposição que contou um pouco a história dos portugueses. Cada sala representava um período de influências, e cada sala possuía uma trilha sonora característica, transportando o visitante numa suave viagem ao passado. Minha sala preferia foi a dedicada a influência árabe em Portugal. Pode ser por se tratar de meus antepassados ou por ser fascinada pela cultura daquele povo, mas só posso dizer que adorei.
Fato engraçado: na sala dedicada a ilustrar o comércio português, estavam expostos grandes vidros com frutas e especiarias. Ao lado um aviso: “É proibido ingerir os alimentos”. Cada dia, menos me surpreendo com o ser humano.