sábado, 8 de março de 2008

Arte em baixa

Um dia, certa pessoa questionada se o Cine Clube Carcará deveria receber verbas para poder realizar seus projetos e possibilitar atividades simples e necessárias, como a limpeza do espaço, respondeu que não, pois além de ser o último na lista de prioridades da Divisão de Assuntos Culturais da Universidade Federal de Viçosa, ele não apresentava retorno financeiro para a universidade.
Aí questionamos: se a Universidade Pública é um patrimônio público, mantida com o dinheiro público, não deveria dar um retorno aos cidadãos comuns, que com seu suado salário pagam seus impostos e conseqüentemente, mantém a Universidade? Este retorno também não se traduziria em apresentações artístico-culturais acessáveis à população? O cinema não é também uma arte que deve ser valorizada e financiada? Por ser um evento “pequeno”, que atraia poucas pessoas, o Alucine no Cine não merece atenção? A universidade então, seria tal como uma casa de shows, cujas apresentações trariam resultados financeiros elevados?
Mas os questionamentos não param por aqui!
O caso então, além do dinheiro, seria a projeção? Com certeza trazer um show do Tianastácia resulta em uma projeção muito maior que exibir um filme do Ingmar Bergman. Vale ressaltar que, além de ser uma banda extremamente popular, tal show recebeu financiamento de grandes empresas privadas. Mas qual dos dois resulta em uma ampla reflexão sobre a vida e valores sociais? Nada contra o show da banda mineira, pelo contrário, é importante, mas é um entretenimento, enquanto os filmes de Bergman, além de proporcionar à comunidade de Viçosa reflexões, são clássicos do cinema internacional, cujo valor artístico é inquestionável.
Será que aí entra uma questão muito mais séria: atividades que induzem a reflexão estão sendo boicotadas? Será que estamos retornando à Ditadura Militar?
O caso é sério, caros amigos, a manutenção da arte clama por socorro na UFV!